sexta-feira, 25 de abril de 2008

letra D

ouvi a mulhé que mora do lado gritando e chorando onti a noite. tapa e murro pra ninguem ousa se intrometê. vizinhança é foda! as madame por aqui gosta só di falar. criticar é facil. quero vê é uma dessas veia i mete o dedo na cara do marido que bateu. a maioria nem liga. "foi tipo só mais uma briga!".essa coisa pra elas só vai te importacia quando o Ferraço quebrá a cara da Maria Paula na novela das oito. ou quando o rato desminguelado e partido ao meio no quintal pará de preocupá as suas vassouras de fuxicá a vida dos outro. a minha preocupaçao no momento é como tira as formiga do pao: logo hoje que tinha ate uns frio.

letra C

oito da noite ele começa a se arruma pra balada. como nao liga muito pra moda, uma calça, camiseta e chinelo de dedo ja ta bom. festinha academica tem seu brilho: um monte de gente que se diz o futuro da naçao enchendo a cara e fumando maconha pra tenta parecê mais humano e menos porco nos olhos do vizinho favelado. depois de se olhá no espelho vai caçá. anda poucos metros e já ta onde tudo bomba. gatinhas querendo ser simpaticas: filhinhas dos pai rico que as ensinaram a dá gosto na vida. plaibois bem vestido: fazendo de tudo pra nao i embora sem o diploma de bom partido de cama. ele chegou bem na hora que a coisa ta começando a se encaminhar pra uma noite inesquecivel. pega uma, duas latinhas. passa o tempo e ja ta na oitava. alguns poucos o conhecem e oferece a cerveja no fim. no fim a contabilidade é pouco: 12. vai embora e nem ta bebado. tinha muita gente bebendo mas memo assim nao deu. a concorrencia nessas festas costuma ser muito grande. chega em casa e pensa:"pena que o Ze só paga 3,80 no quilo do aluminio". a balada nao foi boa né véio: hoje em dia muita gente cata latinha pra sobrevivê!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

letra B

ja vou tirando da cara desses que me iriam me tira de boy. nao me confudam. nao sou boy. nao tenho pc. e nme nada desses tipo de coisa que todo neguinho onde moro que. estou aqui pela ideia, convite, e ajuda de um amigo. ele me disse que escrevo bem. e nao so ele tem me apoiado mas muita gente inclusive familia. e é graças ao esquema desse camarada que descolei uma senha pra usar o computador no lugar onde mais se espeteia filho de papai. falndo u pouco de mim. moro na sao remo. lado a lado com a dita maior universidade do pais. e se nao bastasse a que tem o maior lixo fétido da cidade. e nao tenho vergonha de sentar na mesa de uma sala de computador e usar uma senha emprestada. e tao pouco de admitir que sou um desconectado virtual. nao sou um dos 16 milhoes com acesso a internet. mas sou um dos 60 milhoes que vivem com menos de dois salarios minimos. e se o meu modo antigo de escrever letras so pra mim memso nao me satisfaz mas , é proque sinto que tenho o que contar, e que alguem tem algum interesse de ouvir. se nao muitos, pelo menos uns poucos que me apoiam. e se tentar ser um escritor fudido nao me satisfaz, virar a cabeça pro muleke de calça rasgada da minha rua tambem nao é o caminho que vou tomar pra me sentir um humano no mundo.

posso nao saber os segredos da lingua portuguesa. mas sei que muitos tentarao compreender os meus erros de escrita e as minha ideias mau boladas em letreiros de monitor.

letra A

o mundo é sujo véio, e se voce nao tem dinheiro pra comprar uma revista VEJA, e nem um mastercard pra leva pra casa um VEJA multiuso do CARREFOUR, entao tem que se contentar em pedir uma candida daquelas kombi que passa na porta da sua casa gritando "detergente , amaciante em pó!". mas agora que aprendi sobre a tal da disconcordancia verbal, nem o seu minidicionario de 10.000 verbetes, nem a sua covardia capitalista de tentar impedir o avanço da banda larga gratuita na favela onde moro, vai fazer com que eu fique calado sobre o meu lado da historia.